Travessia de uma vida. Um ator e um banco de madeira. Um mergulho profundo no clássico de Guimarães Rosa. Frente a frente com Riobaldo: seus amores, paixões e afetos; ilusões, desilusões, feitos, pactos e avessos de sua existência. Um homem que abre sua vida a nós, ilustres desconhecidos, ávidos leitores a escutá-lo, ávidos ouvintes a ler tudo o que ele tem a dizer. E ele conta tudo que foi e viu. "O senhor escute, o senhor me ajude, o senhor me imagine."
Profundo conhecedor da obra do escritor, Gilson de Barros nos conduz ao espetáculo flutuando apenas pela presença da palavra, transformando o livro em uma viagem cênica que forma na mente do espectador as paisagens e a vivência do sertanejo; um trabalho que magnetiza desde o início, ao se despir o ator de si e se encher de Riobaldo, em uma notável transformação física, transmutando-se do olhar aos gestos e à forma de se expressar. "Sertão: é dentro da gente."
Em estado de atenção, a plateia se entrega e acompanha a trajetória contada por Riobaldo: alguns aficionados pela obra se inundam de sertão pela possibilidade de visualizar a leitura em cena; outros, com a chance de ter um contato maior com a obra do que já tiveram, multiplicam as possibilidades de acesso ao universo do autor; certamente, nenhum deles deixou de viver e vivenciar cada detalhe do que presenciou. "Tem horas em que penso que a gente carecia, de repente, de acordar de alguma espécie de encanto."
A direção do Mestre Amir Haddad leva o espetáculo para dentro do livro, sendo sua ideia a forma de fazer o teatro como se livro fosse, um homem contando sua vida e nada mais, utilizando a técnica da interpretação narrativa, que foi levada ao extremo e apresentada com maestria pelo ator. A trilogia se completa com o “O Diabo na Rua, no Meio do Redemunho”, que trata da dialética do bem e do mal; e “O Julgamento de Zé Bebelo”, sobre justiça. "Conto o que fui e vi, no levantar do dia. Auroras. Cerro. O senhor vê. Contei tudo."
Projeto concebido para ter vida longa, a trilogia vem amadurecendo bastante com o passar dos anos, atingindo um estado de excelência artística e técnica. Obstinado, o ator Gilson de Barros colocou diversas camadas na interpretação de Riobaldo, um refinamento que só o tempo, talento e muito trabalho podem permitir. "O senhor rela faca em faca — e afia — que se raspam. Até as pedras do fundo, uma dá na outra, vão-se arredondinhando lisas, que o riachinho rola."
Ingressos:
RIOBALDO - 23/10/2026
O DIABO NA RUA NO MEIO DO REDEMUNHO - 24/10/2026
O JULGAMENTO DE ZÉ BEBELO - 25/10/2026
Agradecimentos: Renata Rezende e Rodrigo Machado (Território Comunicação)
Fotos: divulgação

























