quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Agenda Cultural de Agosto e Setembro/2026 - Brasília

 

O Deus da carnificina

Teatro UNIP

12 e 13/09/2026




Caixa Cultural Brasília

21 a 30/08/2026

Crítica




CCBB Brasília (temporada prorrogada)

06 a 30/08/2026

Crítica


A Árvore

Teatro UNIP

27 a 30/08/2026



TEATRO ESCOLA PARQUE 313/314 SUL

29/08/2026



Danúbio

Teatro Paulo Gracindo - SESC GAMA

30/08/2026




30/08 (dom), 16h e 20h — Espaço Cultural Renato Russo 

11/09 (sex), 14h30 e 20h — Complexo Cultural de Samambaia 




 Teatro Paulo Gracindo - SESC Gama - 04 a 06/09/2026

Teatro Paulo Autran - SESC Taguatinga - 11 a 13/09/2026




Teatro Mapati

04 e 05/09/2026



 Sesc Estação 504 Sul

05/09/2026



Entre Mundos

Espaço Cultural Renato Russo

05/09/2026




Teatro Royal Tulip

11 a 13/09/2026



LAMOUR: um espetáculo drag sobre o amor

Teatro dos Ventos - Confraria Artística

11 a 12/09/2026




Espaço Cultural Renato Russo

11 a 13/09/2026




Teatro dos Bancários

12 e 13/09/2026



Cavidade Escura - A Geometria da Origem

Unipaz EAD

13/09/2026



Entre Véus e Histórias

 Espaço Multicultural Casa dos Quatro

13/09/2026





Sesc Presidente Dutra

10 e 17/09/2026



Teatro dos Ventos

18 a 27/09/2026

Crítica



O Começo do Fim

Teatro Royal Tulip Brasília Alvorada

19 e 20/09/2026



Romeu e Romeu - Por Essa nem Shakespeare Esperava

Teatro Caesb Águas Claras

25/09/2026



O Filho

Teatro UNIP

26 e 27/09/2026


Teatro Infantil

Uma Aventura Congelante

 Escola Parque 308 Sul

29 e 30/08/2026



As Estrelas do K-POP

Teatro Royal Tulip

29/08/2026




Teatro Royal Tulip

30/08/2026


A Família Encantada

 Teatro Brasília Shopping

05 e 06/09/2026



Exposições

Exposição Yoshitaka Amano – Além Da Fantasia

CCBB Brasília

17/07 a 01/11/2026




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Elogio da Loucura – Leona Cavalli - Caixa Cultural Brasília


    O trono. Soberana. Gargalha. Linda. Plena. A própria Loucura. Gargalho. Louco. Loucos. Súditos. Loucura. Soberana. Nascido da pena de Erasmo de Rotterdam em 1509 e publicado em 1511, O Elogio da Loucura toma forma nos palcos com uma vitalidade feroz, provando que não há tempo que mude a essência humana. Concebida em um processo compartilhado entre a atriz Leona Cavalli e o diretor Eduardo Figueiredo, a adaptação traz para a cena a Loucura em primeira pessoa. Não, não falo dessa Deusa como patologia, mas sim da força motriz da existência. Afinal, que sociedade permaneceria de pé sem o bálsamo da Loucura? É a loucura que nos põe a respirar. Combustível e Motor.


    No corpo de Leona Cavalli a divindade ganha carne, fôlego e delírio. Transcende. Obscura e Solar. Loucura Sã. Se agiganta diante da plateia e se transmuta, múltiplas Leonas e Loucuras em desfile: da cortesã sedutora à bufona impiedosa, da rainha soberana à criança indomável. A energia pagã. O olhar que atravessa a certeza dos que pensam que sabem. Caos criativo. Dionisíaca!

    A direção de Eduardo Figueiredo equilibra a erudição renascentista com o teatro contemporâneo, construindo uma dramaturgia marcada pela imagem, para junto com o poder de Leona trazer mais força ainda ao texto; ao mesmo tempo que consegue trazer uma forma muito mais palpável ao público em geral de sentir e absorver um texto com variadas e profundas referências filosóficas e mitológicas.

    O figurino veste a Loucura com pompa de monarca do absurdo, cabeças múltiplas, múltiplas cabeças, lindas botas, plumas, tecidos nobres e adornos que realçam a teatralidade do poder sem jamais sobrecarregar a movimentação ou o visagismo da cena. A iluminação de Gabriele Souza desenha clarões dourados e sombras recortadas que acompanham as mutações da atriz, em simbiose com a trilha sonora executada ao vivo, por Violoncelo e Percussão, cujos acordes e tambores ditam o ritual.


    Ao fazer o autoelogio, a Loucura nos empurra frente ao espelho mostrando que a pretensa sensatez é a mais cega das insanidades. As maiores façanhas humanas, da arte ao amor, do sexo até o nascimento, do nascimento até o sexo, do sexo até a morte, seja o que for, só florescem porque nos permitimos. Sob as máscaras sociais, os títulos acadêmicos e a gravidade do cotidiano, precisamos que alguém viajasse mais de 500 anos para revelar que a realidade só se sustenta no delírio. 


"Primeiro vem o dia. Tudo acontece naquele dia. Até chegar a noite, que é a melhor parte. Mas logo depois vem o dia de novo, e vai, e vai, e vai… E é sem parar."


    Entrevista sobre a peça: clique aqui
    Instagram da Caixa Cultural Brasília: clique aqui
    Instagram de Leona Cavalli: clique aqui
    Agradecimento: Rodrigo Machado (Território Comunicação)


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domingo, 16 de agosto de 2026

Todas as Cartas e Poemas que Escrevi pra Você – Lucas Sued – Espaço Cultural Renato Russo


    Cartas não enviadas. Versos guardados. Gaveta. Cofre. Mergulho. Asas. Voo. Um convite para entrar na mente de Lucas Sued em uma celebração do encontro. Integrando na mesma noite o lançamento de seu livro, a exposição visual Processos e a montagem cênica no Espaço Cultural Renato Russo, o projeto se revela uma confluência de linguagens, na qual a literatura ganha vida fora das páginas. 


    A dramaturgia tem uma premissa intimista: abrir as páginas de cartas e poemas como quem abre a porta de casa para uma conversa franca sobre amor, perdas e recomeços. O espetáculo se desenha como um refúgio do afeto, tratando as vulnerabilidades e a busca por identidade, criando uma atmosfera que acolhe a plateia sem afetação.


    A peça olha nos olhos do espectador e o insere na narrativa, transformando-se em uma partilha coletiva. O elenco composto por Lucas Sued, Stefany Motta, Maia Sallemar, Pedro Olivo, Vitctoria Cavalcante e Kalebe Lizan demonstra bom domínio cênico, transitando com naturalidade pela leveza das confissões cotidianas, passando pelos questionamentos humanos até a gravidade dos versos mais densos. Destaco as coreografias do autor e as atuações de Maia Sallemar, que quebra a quarta parede de forma muito natural conduzindo o início da viagem, e de Stefany Motta, que emprega energia cênica e se joga em cena.


    “Todas as cartas e poemas que escrevi pra você” compartilha memórias e apresenta Lucas Sued em uma estreia feliz e sensível; fruto de sonho e muito trabalho de um artista.


   Ficha técnica: clique aqui

    Instagram de Lucas Sued: clique aqui

O Motociclista no Globo da Morte – Teatro UNIP

    O vazio que se preenche aos poucos. O giro contínuo e invisível de uma engrenagem que não cessa de rodar. A trajetória circular que desde o início carrega a semente inescapável do fim. A dramaturgia de Leonardo Netto nasce de um incômodo visceral, o choque diante da espetacularização e da banalidade da violência que nos invade pelas telas cotidianas, para investigar o que pode empurrar um homem comum e pacato, avesso a conflitos e guiado pela lógica dos números, ao epicentro da barbárie. O texto é cirúrgico e redondo, cada premissa avança com a precisão até atingir um ponto de não retorno, mostrando com clareza desconcertante como a fronteira entre a civilidade e o abismo pode se romper inesperadamente.

    Eduardo Moscovis apresenta uma atuação visceral, potente, consagrada pelo Prêmio Shell de Melhor Ator. O ator, movido pela paixão pelo tablado, ainda que relutante antes de ler o texto, o tomou para construir um grande trabalho, sozinho em um palco vazio, sem colegas, sem subterfúgios; sentado,  em uma rotação quase imóvel, que está no peso de cada respiração, no olhar que oscila entre a lucidez e o espanto, no choro e na violência na hora certa. A direção de Rodrigo Portella é cúmplice de um trabalho que dispensa excessos cenográficos para acontecer exatamente na mente do público, transformando o silêncio e a imobilidade em matéria-prima.


    A montagem tem um estado de vigília hipnótico. Um silêncio sepulcral toma conta da plateia durante a peça, um silêncio raro de se sentir hoje em dia, quebrado algumas vezes pela trilha quase imperceptível de André Muato, uma sonoplastia de baixa frequência, que parece ecoar de um lugar distante e subterrâneo, que aprofunda a escuta, um silêncio de atenção! O ambiente ganha contornos com a iluminação de Ana Luzia de Simoni, que além de projetar, de forma minimalista,  a luz como uma redoma, utiliza os pantógrafos dos refletores, para, de forma muito sutil, sugerir que o personagem está dentro de um globo da morte. Em outra grande sacada, a luz fica em grande parte do espetáculo também diretamente apontada para o rosto do público, um desconforto intencional que desfaz a distância cênica e nos avisa que não somos meras testemunhas, mas espelho daquela mesma equação.  


    A peça avança despindo nossas contradições; acompanhamos o processo em que gente passa a ser tratada como coisa. “Gente como coisa”, “Estamos sós”, como dizia Beckett. Diferente do picadeiro tradicional de um circo, no qual a plateia muitas vezes assiste ao globo da morte nutrindo a expectativa secreta e mórbida pela queda do piloto; no teatro, a lógica é subvertida e o choque e a queda não são externos, mas dentro de nós. Chegamos ao fim e os rostos ao redor exibem uma expressão física atordoada, como se cada um tivesse violentamente sido retirado do seu eixo. Vazio que se preenche aos poucos.


E o giro termina onde começou e tudo que temos que fazer tentar manter o insustentável equilíbrio.
    

    Destaco a relevância do Circuito de Teatro Brasileiro, realizado pela Deca Produções, consolidando um corredor cultural imprescindível na Capital do País, garantindo ao público local acesso a importantes e premiadas peças nacionais.

    Instagram da peça: clique aqui

    Instagram da Deca Produções: clique aqui

    Agradecimento: Rodrigo Machado (Território Comunicação)


quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Amor em Rosa - Criaturas Alaranjadas

    Cabaré, radionovela, plumas, paetês e muito Samba. Um portal dos anos 1930 que se abre no coração de Brasília. Amor em Rosa, musical do coletivo Criaturas Alaranjadas, propõe uma insurreição poética para contar a história de um dos maiores compositores brasileiros e, ao mesmo tempo, tratar do cotidiano da alta roda da Capital. Sob a direção de Sérgio Maggio e Jones Schneider, o musical apresenta uma forma bem humorada, caprichada e original de nos contar sobre a vida de Noel Rosa. 

    A dramaturgia de Sérgio Maggio escolhe um caminho audacioso: costurar 21 canções de Noel com o melodrama das radionovelas e o deboche do teatro de revista. O resultado é um estetáculo vibrante, conduzido por diversas figuras caricatos interpretados e cantados por Jones Schneider, Wol Nunnes e Jeff Moreira, acompanhados pela afinada banda que executa as canções de Noel. 



    O trio de atores está afiado em cena. Jones Schneider conduz o jogo com ginga de malandro e ótimo tempo de comédia; e, além de nos presentear com sua surpreendente voz, assume a responsabilidade de encarnar o próprio Noel Rosa. Ao seu lado, Wol Nunnes brilha intensamente como Marly Temporal e também vive as principais mulheres que orbitaram a vida do compositor. Jeff Moreira, encarnando com puro glamour e deboche a fabulosa Condessa Genoveva, fã inveterada de Noel, envolta em plumas e paetês, sambando na cara da sociedade e brindando o público com a celebração da vida e obra de Noel e expondo os babados da rídicula “alta sociedade” de Brasília; concatenada com as críticas e denúncias em grande parte autobiográficas das músicas do Poeta da Vila, sua língua de cobra chicoteia sem pudores a hipocrisia dessa gente que só cai pra cima.


    Na parte técnica, o figurino reluzente traduz a época e o tom do deboche de cada personagem; a cenografia recorta o tempo e espaço de forma primorosa, transportando o espectador entre o ambiente boêmio, o da Radionovela e o do Teatro de Revista; e a iluminação pincela a cena entre as sombras da noite e as cores vibrantes do cabaré. 

   

    Assim como as músicas de Noel, Amor em Rosa é uma peça que nos embarca em uma viagem no tempo, com a sensação de vivenciar momentos que não voltam mais, mas merecem ser relembrados. Uma peça interessante para celebrarmos juntos Noel e os 20 anos das Criaturas Alaranjadas e, também, para mostrar às novas gerações hiperconectadas recortes importantes da nossa História.


O Sol da Vila é triste

Samba não assiste

Porque a gente implora

Sol, pelo amor de Deus, não vem agora

Que as morenas vão logo embora 


    Ingressos: clique aqui 

    Fotos: Divulgação