O vazio que se preenche aos poucos. O giro contínuo e invisível de uma engrenagem que não cessa de rodar. A trajetória circular que desde o início carrega a semente inescapável do fim. A dramaturgia de Leonardo Netto nasce de um incômodo visceral, o choque diante da espetacularização e da banalidade da violência que nos invade pelas telas cotidianas, para investigar o que pode empurrar um homem comum e pacato, avesso a conflitos e guiado pela lógica dos números, ao epicentro da barbárie. O texto é cirúrgico e redondo, cada premissa avança com a precisão até atingir um ponto de não retorno, mostrando com clareza desconcertante como a fronteira entre a civilidade e o abismo pode se romper inesperadamente.
Eduardo Moscovis apresenta uma atuação visceral, potente, consagrada pelo Prêmio Shell de Melhor Ator. O ator, movido pela paixão pelo tablado, ainda que relutante antes de ler o texto, o tomou para construir um grande trabalho, sozinho em um palco vazio, sem colegas, sem subterfúgios; sentado, em uma rotação quase imóvel, que está no peso de cada respiração, no olhar que oscila entre a lucidez e o espanto, no choro e na violência na hora certa. A direção de Rodrigo Portella é cúmplice de um trabalho que dispensa excessos cenográficos para acontecer exatamente na mente do público, transformando o silêncio e a imobilidade em matéria-prima.
Destaco a relevância do Circuito de Teatro Brasileiro, realizado pela Deca Produções, consolidando um corredor cultural imprescindível na Capital do País, garantindo ao público local acesso a importantes e premiadas peças nacionais.
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Agradecimento: Rodrigo Machado (Território Comunicação)
Excelente crítica!!! Parabéns
ResponderExcluirmaravilhoso!
ResponderExcluirCirúrgico como sempre!
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