segunda-feira, 13 de julho de 2026

Agenda Cultural de Julho e Agosto/2026 - Brasília

Memórias do Vinho

Teatro UNIP

25 e 26/07/2026

Crítica



O Pai

Teatro SESC Silvio Barbato

16 e 17/07/2026

Crítica




CCBB Brasília

02/07 a 02/08/2026




Escola Parque 308 Sul

11 a 26/07/2026




Caixa Cultural Brasília

11 a 26/07/2026




CCBB Brasília

17/07 a 01/11/2026



Isso É Um Absurdo!

Teatro dos Ventos

15 e 16/07/2026 




Teatro POUPEX

16/07/2026




Teatro Brasília Shopping

18 a 26/07/2026




 Espaço Cultural Renato Russo

22 e 23/07/2026


Fest Clown

Vários locais

26/07 a 02/08/2026




Caixa Cultural Brasília

30/07 a 02/08/2026



Baixa Sociedade

Teatro UNIP

30/07 a 02/08/2026




 Espaço Cultural Renato Russo

30/07/2026




Espaço Cultural Renato Russo

31/07 - Motel Calabria

01/08 - Entre Trópicos

02/08 - Corpo Avesso



Adeus Berlim! - O Musical

Teatro Ribondi - Casa dos Quatro

31/07 a 02/08/2026



Cicuta (Ou Um Tal De Sócrates)

Teatro Engrenagem

31 a 09/08/2026




Teatro dos Ventos (Águas Claras)

30/07 a 02/08/2026



Veneno de Rato

Teatro dos Bancários

02/08/2026

Crítica



"A Falecida" de Nelson Rodrigues

Teatro dos Ventos  (Águas Claras)

07 a 23/08/2026




Teatro Mapati

07 e 08/08/2026




Teatro Engrenagem

05 e 06/08/2026




CCBB Brasília

06 a 23/08/2026



SESC Ceilândia - Teatro Newton Rossi

08/08/2026




Espaço Multicultural Casa dos Quatro

13 a 16/08/2026



Cacura

Teatro Engrenagem

14 e 15/08/2026




Teatro UNIP

15 e 16/08/2026



Centro Tradicional de Invenção Cultural 

15 a 23/08/2026




Espaço Multicultural Casa dos Quatro

20 a 23/08/2026




Complexo Cultural Samambaia

21/08/2026



A Árvore

Teatro UNIP

27 a 30/08/2026




Teatro Royal Tulip

22 e 23/08/2026



Danúbio

Teatro Paulo Gracindo - SESC GAMA

30/08/2026




Teatro Royal Tulip

30/08/2026




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quarta-feira, 8 de julho de 2026

Veneno de Rato – Teatro dos Ventos

    Um restaurante de beira de estrada. Um deputado. O filho de um empresário. Uma garçonete. Um cozinheiro. Uma faísca que incendeia o tabuleiro do poder. Veneno de Rato, novo espetáculo do Grupo Teatro dos Ventos coloca o espectador dentro de um thriller político ágil e com humor ácido; fazendo o público ser como o povo, quase parte do jogo, como dizia Plínio Marcos: “... esse povo sofrido que só berra na geral sem nunca influir no resultado”.  


    Celebrando 15 anos de estrada na resistência cultural de Águas Claras, o grupo reafirma seu compromisso com um teatro crítico, provocador e reflexivo. Sob a direção de Ferdi, a montagem  inédita mostra as engrenagens de um sistema que sempre usa a impunidade como verniz para encobrir as maquinações e a “cara de pau” do Poder. Disputa partidária, chantagens, assassinatos e a fabricação de narrativas públicas compõem um mosaico que nos é familiar.

    Com atmosfera noir e ritmo acelerado, os cinco atores interpretam treze personagens. Políticos, mulheres de políticos, empresários, policiais, advogados e cozinheiros, colidem em cena em transições e transações vertiginosas. A troca de máscaras, bem como as narrativas, vão agalopando, mantendo a tensão dramática, em uma energia cênica que segue alta durante o espetáculo, exigindo certa atenção do espectador. O ritmo quase cinematográfico funciona muito bem ao misturar o palco e o audiovisual, integrando cenas de  reportagens policiais filmadas na capital e encenadas pelo próprio elenco, o que amplia a imersão na trama. 

    A cenografia é minimalista e funcional, utilizando poucos elementos para sugerir gabinetes sombrios e refúgios clandestinos, concentrando-se a peça no jogo cênico e na presença dos atores. O clima de suspense é bem desenhado pela trilha sonora e pela iluminação. A maquiagem tem um certo estilo oriundo do clown e de teatro do absurdo, com um ar ridículo e sujo, "homenageando" o que a maioria dos personagens representa.

    Veneno de Rato é um espetáculo que põe lupa nos meadros do poder, partindo de um recorte de luta interna de um partido, mas que se traduz universal; como na política, fazemos parte da peça, os espectadores mencionados por Plínio, vendo o incômodo espelho de um país sem influenciar no resultado; mas que mesmo assim, consegue continuar, rindo ainda mais quando, mais que as narrativas, o veneno começa a agir.


    Ficha Técnica: saiba mais

    Nos dias 11 e 12/07/2026, a peça estará em cartaz no Espaço Multicultural Casa dos Quatro, na (Ingressos: clique aqui)

    O Teatro dos Ventos é um espaço cultural localizado no coração de Águas Claras, contendo um Centro de Formação Artística com cursos livres, formação de atores, teatro de 60 lugares e Grupo Teatral. O Grupo Teatral, fundando em 2011 e já recebeu o prêmio de Melhor Coletivo Cultural do DF. (instagram)

domingo, 2 de novembro de 2025

Invisível, com João Côrtes -Teatro Brasília Shopping

    Antes havia vida, colorida, brilho. Havia afeto, paixão, amor, sexo. A vontade de viver plenamente pode, aos poucos, se transformar em auto anulação,  em um desaparecimento contínuo. Um jogo, uma jaula; o que protegia e preenchia se torna algoz.  O desenho do fim, descolorir-se. Em cena, o gaslighting, a asfixia psicológica que corrói a própria identidade. 

    João Côrtes se joga no abismo, ocupando o palco com energia e sutileza; e quanto mais se ilumina e brilha, mais fica invisível. O trabalho de ator surpreende, pelo grau de dificuldade de atuar, contracenando com sons e luzes, enquanto interpreta personagens antagônicos na mesma cena. Um ágil duelo de uma homem só, presa e predador. Um trabalho corajoso que requer técnica e condicionamento apurados.

    A dramaturgia de Moisés Bittencourt disseca a anatomia de um relacionamento abusivo, personificado na relação entre Eduardo e seu namorado, Michel; fazendo do público testemunha de quem já não encontra seu reflexo no olhar do outro, e sim apenas dúvida da  própria existência. A iluminação contracena com a trilha sonora, sincronizadas e bem executadas, criando a sensação de imersão, fazendo se perceber a habilidade do ator e dos respectivos profissionais cênicos e o cuidado da direção de Fernando Gomes e da diretora de movimento Ana Magdalena. 

    Invisível é um espetáculo frenético e de necessário incômodo, sem fácil redenção e sem aplauso que alivie a angústia. Nos perguntamos quantos vezes já nos invibilizamos, já invibilizamos alguém ou vimos espectros vagando por aí. Um grito sufocado de alerta para olharmos com mais atenção, não apenas para o vazio, mas para as relações que o alimentam.


    Instagram da peça

    Fotos: divulgação

    Agradecimento: Rodrigo Machado (Território Comunicação)

quarta-feira, 1 de outubro de 2025

Agenda Cultural de Outubro/2025 - Brasília

O Arco-íris no Concreto
Teatro Silvio Barbato - Sesc SCS
03 a 05/10/2025




Teatro Sesc Paulo Gracindo (Gama)
03 a 05/10/2025






FrICÇÕES
Teatro Royal Tulip
02 a 05/10/2025
Crítica



Jung Laing, eu prisioneiro de mim
Instituto Invenção Brasileira - 
Taguatinga Sul
03 a 05/10/2025




Na Cama Com Veríssimo
Teatro Paulo Autran - SESC Taguatinga
04 e 05/10/2025



Uma Aventura Congelante
 Escola Parque 308 Sul
04 e 05/10/2025




Teatro Mapati
03 e 04/10/2025



03 e 04/10/2025




CAIXA Cultural Brasília
09/10 a 08/11/2025




Entre Trópicos
Teatro Newton Rossi - Ceilândia
09/10/2025



Desabafo do Bicho
Complexo Cultural de Planaltina 11 a 12/10/2025
Sesc Newton Rossi - Ceilândia 14 a 16/10/2025



As Rivais
Casa da Cultura do Núcleo Bandeirante
Diversas datas




Três Mulheres Altas
Teatro UNIP - 913 Sul
11 e 12/10/2025




Chapeuzinho Esfarrapado
Teatro Silvio Barbato - Sesc SCS
12/10/2025



Teatro Unip
17 a 19/10/2025




Invisível
Teatro Brasília Shopping
17 a 19/10/2025




Caixa Cultural
17 a 19/10/2025




Memória Matriz
Teatro Newton Rossi – SESC (Ceilândia) - 17 e 18/10/2025 
Teatro Yara Amaral – SESI (Taguatinga) - 29 e 30/10/2025 
Teatro Paulo Gracindo – SESC (Gama) - 31/10 e 1°/11/2025


CAIXA Cultural Brasília
24/10 a 02/11/2025





25 e 26/10/2025




31/10 a 1°/11/2025



ATENÇÃO!!!

Instagram do blog Crítica em Cena por Rodrigo Ferret. Acompanhe para ver a agenda cultural atualizada do Distrito Federal e textos de críticas das peças que acontecem aqui.


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segunda-feira, 29 de setembro de 2025

O Bem-Amado, com Diogo Vilela e Grande Elenco

    Odorico Paraguaçu vive. Periculosamente vivo. A farsa engraçada e divertida escrita por Dias Gomes em 1962, apresentada aqui na íntegra, com cada preciosismo verborrágico de seu protagonista em seus neologismos e arcaísmos, soa como uma lupa do nosso eterno picadeiro político temperada; uma estranha sensação de reconhecimento para todos e certa nostalgia para alguns. Uma peça que tem mais de 60 anos pratrasmente e continua atual, agoramente, um clássico da nossa dramaturgia, apresentado como novela e em diversas montagens teatrais.

    Estamos diante da saga do prefeito que, eleito sob a promessa de construir o cemitério local, precisa desesperadamente de um defunto para inaugurar sua grande obra, acabando de vez com defuntice compulsória. E nessa busca macabra revelam-se as engrenagens do poder: a  demagogia, a hipocrisia e o oportunismo.  Apesar de distantes no tempo e espaço, há um paralelo perceptível entre o texto de Dias Gomes e o Teatro Russo, mormentemente  de Gogol e Tchekhov: a crítica social que satiriza a corrupção e a burocracia; o retrato de uma sociedade provinciana usado para refletir questões sociais e humanas mais amplas; a hipocrisia das classes mais abastadas, que precisam  manter as falsas promessas e aparências. 


    O elenco jenipapista estrelado vive em cena a alma de Sucupira com muito entusiasmo e força. Como nosso prefeito, Diogo Vilela, com uma presença de palco que magnetiza: o peito estufado, a mão que abençoa e apunhala e a voz que transforma a mentira em poesia cívica; Não-obstantemente, um ator que sempre teve o Teatro como o pilar principal do seu ofício e um protagonista deverasmente generoso com os colegas, sendo nítida a sua energia e dinamismo em cena, bem como seu tempo para o drama e para a comédia. 


    Orbitando Odorico, as Irmãs Cajazeiras, interpretadas por atrizes com carreiras sólidas no Teatro (Cris Mayrink, Rose Abdallah e Renata Castro Barbosa), a trindade das beatas, com seus desejos quase reprimidos, fofocas venenosas, afagos e influência no jogo do poder; Dirceu Borboleta, interpretado desconstrangidamente por Tadeu Melo com um lirismo desajustado, o secretário gago, cujo amor paradoxal serve de escada para o absurdo; o lendário Zeca Diabo, interpretado por Chris Penna que busca o equilíbrio entre a brutalidade e a ingenuidade do matador; o coveiro Chico Moleza, estrelado pelo hilário Ataíde Arcoverde, ator que ecoa na nossa memória, a personificação da espera, o funcionário público de uma obra inútil,  cujo lamento é o contraponto hilário ao otimismo delirante de Odorico. Completando a cena, o experiente Luiz Furlanetto (tio das Irmãs Cajazeiras, Hilário Cajazeiras);  Gabriel Albuquerque (Neco Pedreira, dono da Trombeta, o jornal da cidade, o marronzista) ; Lucas Figueiredo (Ernesto) Alê Negão (Demerval); Ezequiel Vasconcelos (Mestre Ambrósio); Rollo (Zelão) ; e Marco Áureo (Vigário). 


    O espetáculo é conduzido pela direção segura e certeira de Marcus Alvisi, que aproveita do texto na íntegra para extrair ao máximo o trabalho de ator e manter uma equipe coesa e que está feliz em estar no palco, o que é perceptível em cena. A parte técnica é muito competente, sem deceptude : A iluminação de Daniela Sanchez cria auras de santidade não tão santas e recorta na penumbra os conchavos, conduzindo nosso olhar; a direção cuidadosa de movimento de Juliana Medella acrescenta à obra  dinamismo; o cenário (Ronald Teixeira e Pedro Stamford) é grandioso e funcional, mostrando Sucupira em diversos elementos, que vão do mangue ao gabinete da Prefeitura, marcados pelo ótimo trabalho de visagismo (Mona Magalhães); e o figurino (também de Ronald Teixeira e Pedro Stamford) veste com esmero, em mínimos detalhes. 


    E, ademaismente, quando o destino se cumpre de forma épica e funestamente irônica, se registra o testamento de um Brasil que se devora. Um nome para sempre gravado nos anais e menstruais da história de Sucupira. O Grande, o Pacificador, o Desbravador, o Honesto, o Bravo, o Leal, o Magnífico, o Bem-Amado! E nos considerandos, sem-vergonhismo, um público bestificado com a sagração do herói!


    Instagram da peça

    Fotos: divulgação

    Agradecimento: Rodrigo Machado (Território Comunicação)


Instagram do blog Crítica em Cena por Rodrigo Ferret. Acompanhe para ver a agenda cultural atualizada do Distrito Federal e textos sobre as peças.